23 de dez de 2009

Porto-Príncipe, Copenhagen e Brasília


Por Eduardo Nunes

Cheguei a Copenhagen vindo de uma visita de trabalho ao Haiti. Por mais distantes que a pobre Porto-Príncipe e sofisticada Copenhagen estejam uma da outra, ambas estão mais perto do

Brasil e do novo sistema de poder internacional do que nos fazem crer os parciais editoriais.

Por dever profissional (trabalho em uma ONG Internacional de Desenvolvimento), estive em algumas conferências e reuniões de alto nível da ONU, desde a primeira, a ECO-92. Mas, não estava preparado para o que ocorreu na semana passada, na COp15, em Copenhagen.

Muitas foram as surpresas. A primeira foi perceber que a reunião da qual estava participando era vista de forma totalmente parcial pelos que a acompanhavam daqui do Brasil (talvez, do mundo?). A imprensa mostrou manifestações (alias, como se isto fosse algo ruim), conflitos e um impasse improdutivo. Eu participei de outra COP. Saí como a maioria, frustrado com a não assinatura de um acordo “amplo, justo e legalmente vinculante”. Mas, pouco vi manifestações (confinadas a determinadas áreas e horários). Presenciei avanços impensáveis, há pouco. E testemunhei um marco da mudança profunda na geopolítica global.

Vi uma conferência que além da intensa participação das “partes” (Estados Nacionais), contou com uma inédita forte presença de setores corporativos (com destaque para o financeiro), não-governamentais e multilaterais. Houve e sempre haverá conflitos. Mas avançou-se em iniciativas concretas [ara redução de emissões de diversos gases (a imprensa desprezou os importantes avanços em “green-house emissions’, CFC e outros). Na mesma conferência, centenas de projetos foram apresentados, discutidos, ampliados e acordados. Parcerias de todos os tipos foram celebradas. Representam além de alguns bilhões de euros, novos mapas de ação que coordenam setores privados-governamentais-multilarais-sociedade civil. Projetos que suplantam fronteiras nacionais e criam novas geografias de cooperação.

Tudo isto é ainda insuficiente. Mas, diante das dificuldades de um mundo real, não é pouco. Fora as frases de efeito dos chefes de estado, aqueles que prestaram atenção aos discursos veriam que a maioria deles apresentou fatos e ações que já estão em curso. Somados, elas representam avanços importantes.

As manifestações (que não interferiram com os trabalhos, dentro do Bella Center) e a desorganização comum a eventos deste porte (atrasos em credenciamento, mudanças de salas de reuniões, etc.) não mudam o que ocorreu. No caso das manifestações, a imprensa deveria perceber que elas representam uma tentativa (ainda débil, reconheço) de abrir o sistema de decisões internacional a críticas. Mesmo restringida (mas, nunca proibida) nos últimos dias do evento, a participação ampla de observadores privados e não-governamentais também mostra um progresso. Democracia provoca uma dinâmica que alguns setores conservadores insistem em chamar de “bagunça”. Protestos, impasses e discordâncias são do processo democrático.

Por fim, e talvez mais importante, foi a constatação de que esta não foi uma conferencia sobre clima. Foi uma reunião sobre o novo sistema de poder internacional. Nunca, como brasileiro, havia me sentido no centro de uma discussão. Para o bem e para o mal. Antes, ou éramos vistos como irrelevantes, ou como “bonzinhos bem intencionados”. Mas nunca como líderes. Nunca como protagonistas. Até agora. Colegas de outras ONGs internacionais me buscavam para ter informações e conseguir falar com a delegação brasileira. Todos que me encontravam tinham uma posição a expressar. Um apoio, uma crítica. Todos sabiam e reconheciam o novo papel. Todos menos a imprensa brasileira.

Desde o início, era sabido que o Brasil teria posição protagônica em qualquer resultado da COP15. China e Índia também. Não houve reunião importante na qual o Brasil não estivesse presente. A diplomacia brasileira, com um profundo conhecimento do intricado e burocrático sistema decisório e processual da ONU, conseguiu barrar a maioria das manobras dos países ricos. Como os dois textos “fantasmas”, plantados pela presidência dinamarquesa da conferencia. É só rever as gravações que se perceberá que ambos textos foram desmontados a partir de falas dos representantes brasileiros.

EUA e EU (Japão e Rússia tiveram papel tímido nesta COP) estavam acostumados a ditar tudo. Controlavam as estratégicas relatorias das comissões, enquanto colocavam diplomatas de países pobres nas burocráticas presidências dos grupos. Compravam pequenos e dependentes países com acordos de cooperação. Desta vez não. Brasil e China assumiram um papel de liderança dos “emergentes”, negociaram e apoiaram os países menos desenvolvidos. Quando EUA e EU começaram a ceder alguma coisa (no fim da 6af, dia 18), mesmo com a concordância do Brasil, Índia e China, foi a vez dos liderados dizerem não. Outra novidade. Mostra que o Brasil não exercerá o tipo de liderança dos EUA, hegemônica. Não é, juntamente com Índia, uma nova potência. É um novo tipo de liderança. Expressão de um mundo mais complexo e multipolar. Dentro destes líderes, a China ainda mantém uma postura mais tradicional de liderança porque tem países em sua órbita de dominação.

Força e potencial econômico, biomassa e petróleo, diplomacia com prioridades nas relações SUL-SUL, carisma pessoal do presidente, etc. Cada um pode e deve discutir os motivos que levaram o país a assumir esta posição (que não é relativa ao clima, é no cenário internacional como um todo). Se bom ou ruim, cada um faça seu juízo. Mas, não é possível que estejamos ignorando este novo papel global e discutindo suas implicações. Porto-Princípe e Copenhagen estão mais perto de Brasília do que os mapas antigos mostram.

Feliz Natal e um 2010 repleto de alegria e paz


Depois de um ano difícil
Com crise econômica
E gripe suína
Com vendavais uivantes
Temporais abundantes
E enchentes urgentes

Depois de escândalos dos vilões
E muitos apagões
Alguns prejuísos
E grandes sacrifícios

(Re) Surge a esperança
Como aquela criança
Que em nossa Esperança
Não se cansa de voltar
Que não espera pra chegar
E não teme em retornar

Sim o Natal
Nossa festa final
Encontro capaz de Resgatar toda amizade
E brindar a alegria
Que em nós pulsa
E expulsa o ser Pra mais viver

Feliz natal e um 2010 repleto de Alegrias e Paz.
São os votos do Blog Ideias Práticas.

21 de dez de 2009

Entenda os impasses na conferência do clima de Copenhague

Os impasses para a conferência climática da ONU em Copenhague, que terminou na última sexta-feira (18), giram especialmente em torno do jogo de empurra de responsabilidades entre países ricos e pobres.

O Protocolo de Kyoto, de 1997, deu obrigações de redução de emissões somente aos países ricos. Eles, porém, querem responsabilidades também para os emergentes, por exemplo no que diz respeito à contribuições para a criação de um fundo climático

O resultado: dificuldades na redação de um texto final que defina as regras e um acordo entre os países participantes, ricos e pobres.

Países como Brasil, China, Bolívia, Sudão e outros em desenvolvimento, representando o chamado grupo G77, até mesmo atrasaram nesta quarta-feira (16) o início dos discursos dos líderes políticos para protestar contra nova minuta dinamarquesa de acordo, a qual acusaram ter "saído do nada".

As delegações desses países em desenvolvimento criticaram que a Presidência dinamarquesa impusesse um novo texto, depois que 130 países negociaram durante toda a madrugada para alcançar acordos.

No entanto, o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, pediu às delegações que evitassem criticar um texto que ainda não havia sido apresentado formalmente e salientou que a proposta dinamarquesa "reúne os resultados" alcançados pelos dois grupos de trabalho da cúpula.

Protocolo de Kyoto

O objetivo principal da conferência é fechar um acordo para suceder o Protocolo de Kyoto. Os países em desenvolvimento querem sua prorrogação, que obriga os países ricos, exceto os Estados Unidos, a reduzir a emissão de gases-estufa até 2012 e, ao mesmo tempo, elaborar outro acordo para as nações em desenvolvimento.

Mas a maioria dos países ricos querem unir o Protocolo de Kyoto, de 1997, com um novo acordo com obrigações para todos no combate ao aquecimento global.

Os ricos preferem uma solução de via única, principalmente porque os Estados Unidos, segundo maior emissor mundial de gases-estufa, estão fora do Protocolo de Kyoto. Há o temor de que uma solução de duas vias faça com que os Estados Unidos fiquem num regime menos rígido, ao lado de grandes países em desenvolvimento.

De acordo com o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 no Japão, e em vigor a partir de 2005, 37 nações industrializadas se comprometem a reduzir suas emissões de seis gases-estufa em 5,5% em relação aos níveis de 1990 até 2012. Os países em desenvolvimento são desobrigados de reduções de emissões de gases-estufa.

No entanto, os Estados Unidos, que não assinaram o acordo, dizem que ele é injusto por não obrigar a metas vinculantes países em desenvolvimento que já são grandes emissores de gases-estufa.

Financiamento

Outra das questões-chave é o financiamento para políticas de mitigação das emissões para os países pobres.

A chefe da delegação brasileira e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, declarou nesta quarta-feira (16)que os países ricos tentam aprovar uma proposta que fixa a participação dos países emergentes no fundo em 20% do total dos recursos e a das nações desenvolvidas, em 25%, que seriam responsabilidades muito parecidas.

"Somos a favor de compromissos comuns, mas diferenciados. Esses países [ricos] têm 200 anos de desenvolvimento e de acúmulo de riqueza, por isso não concordamos", afirmou Dilma.

A proposta, que aumenta ainda mais o impasse na conferência, é rechaçada pela China, Índia e África do Sul, além do Brasil.

De todo modo, o Japão deve oferecer US$ 10 bilhões para o período de três anos entre 2010 e 2012.

A União Europeia prometeu US$ 10,6 bilhões para o período. Mas esperava que o valor iniciasse um fundo que crescesse até US$ 100 bilhões ou mais anualmente.

Depois, a avaliação caiu para um fundo de financiamento climático de cerca de US$ 30 bilhões, mas muitos dos países pobres afirmam que esse valor é insuficiente.

Os Estados Unidos disseram que vão colaborar, mas ainda não prometeram mais que US$ 1,2 bilhão.

Corte de emissões

Os Estados Unidos, país maior emissor de gás-estufa por habitante, afirmou nesta terça-feira (15) que não pretende aumentar na conferência do clima, suas ainda tímidas metas de redução de emissões de gases-estufa até 2020. É o que havia informado nesta terça-feira (15) o enviado norte-americano para as mudanças climáticas, Todd Stern.

O bloco europeu já havia anunciado desde outubro sua disposição de, até 2020, alcançar uma redução de 20% a 30% na liberação de gases causadores do efeito estufa em relação a 1990, o que é uma proposta bem mais ambiciosa que a norte-americana.

O governo de Barack Obama havia oferecido corte nas emissões de 17% até 2020, frente aos níveis de 2005, o que significa uma redução de 3% em relação a 1990.

A meta brasileira é de entre 36,1% e 38,9% "em relação ao cenário tendencial para 2020", o que cálculos da Folha de S. Paulo traduzem em uma redução absoluta de cerca de 25% em relação a 2005. Isso resultaria em corte ainda maior que o dos EUA.

A China, maior emissor global de dióxido de carbono, comprometeu-se a diminuir entre 40% e 45% de sua intensidade carbônica --emissões de dióxido de carbono de um país dividas pelo PIB-- até 2020.

Mas isso não equivale a necessariamente uma redução absoluta dos poluentes, mas apenas em sua desaceleração comparada com a economia chinesa.

Somados, EUA e China contribuem com cerca de 40% das emissões globais de gases-estufa.

Renúncia

A situação chegou a tal nível de dificuldade que a presidente da conferência, Connie Hedegaard, decidiu renunciar nesta quarta-feira, dando lugar ao primeiro-ministro dinamarquês.

Ela havia admitido no dia anterior que ainda havia "muitos obstáculos" nas negociações. Mas seu motivo oficial foi que o grande número de líderes políticos presentes na cúpula necessitava da condução do premiê dinamarquês.




Texto retirado do jornal folha de São Paulo

16 de dez de 2009

Assine agora !!!

Copenhague é a única chance de impedir mudanças climáticas catastróficas, e as negociações estão falhando. Somente a pressão pública massiva poderá salvar Copenhague. Assine você também está petição global histórica - clique abaixo:

Assine a Petição!

Com apenas três dias para terminar, a Conferência de Copenhague está falhando.

Amanhã, os líderes globais irão chegar para um encontro inédito de 60 horas diretas de negociações. Os especialistas concordam que sem a pressão da opinião pública global por um acordo forte, o encontro não conseguirá impedir o aquecimento global catastrófico de 2 graus.

Clique abaixo para assinar a petição por um Acordo pra Valer - a campanha já conta com um número surpreendente de 11 milhões de apoiadores - vamos transformá-la na maior petição da história nas próximas 72 horas! Os nomes serão lidos diretamente na Conferência de Copenhague - assine no link abaixo e envie este alerta para todos os seus contatos!

http://www.avaaz.org/po/save_copenhagen

A equipe da Avaaz está se reunindo diariamente com os negociadores em Copenhague e iremos providenciar uma entrega espetacular da petição aos líderes a medida que eles forem chegando. Os nomes serão colocados em um muro gigante de caixas e serão lidos um a um. Com a maior petição da história, os chefes de estado não terão dúvida de que o mundo inteiro está atento ao que está acontecendo.

Milhões de pessoas assistiram pela televisão a vigília da Avaaz dentro do encontro, onde o Arcebispo Desmond Tutu disse a centenas de delegados e crianças reunidas: "Marchamos em Berlim e o muro caiu.
"Marchamos pela África do Sul e o apartheid caiu.
"Marchamos em Copenhague - e vamos conseguir um Acordo pra Valer." Copenhague busca o maior mandato da história para deter a maior ameaça que a humanidade já enfrentou. A história será escrita nos próximos dias. Como nossos filhos vão se lembrar deste momento? Vamos lhes dizer que fizemos tudo o que podíamos .

http://www.avaaz.org/po/save_copenhagen

Com esperança,

Ricken, Alice, Ben, Paul, Luis, Iain, Veronique, Graziela, Pascal, Paula, Benjamin, Raj, Raluca, Taren, David, Josh e toda a equipe Avaaz.

6 de dez de 2009

Encontro de Copenhague


Com o início da Conferência de Copenhague ouviremos vários palavreados e siglas referentes ao meio ambiente que podem não estar muito presentes em nosso dia a dia, com isto colocamos aqui um resumo dos termos e siglas mais importantes. Bom proveito:

Aquecimento global:
Elevação anormal da temperatura da Terra causada sobretudo por atividades humanas após a Revolução Industrial, como a queima de combustíveis fósseis, desmatamento e pecuária, que emitem grandes quantidades de gases-estufa. O fenômeno é também conhecido como mudança climática.

Ártico e Antártida:
O derretimento do gelo nos polos da Terra são uma das maneiras de se verificar o aquecimento global. A extensão de gelo no Ártico diminuiu de 7,8 milhões de km² em 1980 para 4,2 milhões em 2007, o recorde inferior.

Biodiversidade:
Conjunto de espécies da fauna e flora de uma região. O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo, mas o aquecimento global deve causar sua diminuição em todo o mundo. Certas espécies são muito sensíveis a mudanças no habitat onde vivem, como anfíbios em florestas tropicais, e sua possível extinção acaba gerando um efeito prejudicial em cadeia para outras espécies que dependem delas.

Bioma:
Conjunto de diferentes ecossistemas terrestres --com interações de flora e fauna-- caracterizados por tipos semelhantes de vegetação, em determinada região geográfica. O Brasil possui sete biomas: amazônia, cerrado, caatinga, mata atlântica, pampa, pantanal e zona costeira.

"Cap-and-trade":
Algo como "limite e comercialize", em inglês; sistema pelo qual o governo distribui metas de redução de emissões e as empresas trocam entre si certificados de poluição, vendendo e comprando créditos de carbono.

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC):
Tratado internacional realizado no Rio de Janeiro, em 1992, e firmado por quase todos os países do mundo, com o objetivo de estabilizar a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. Sem limites obrigatórios a princípio, deixou tais regras para protocolos posteriores, como o de Kyoto.

Corrente do Golfo:
Corrente marinha que desloca água do Golfo do México até a Europa. Parte de um sistema de circulação do oceano no Atlântico Norte, banha o oeste da Europa com águas quentes, especialmente no inverno, e mantém as temperaturas mais altas do que em outros pontos da mesma latitude. Cientistas do IPCC preveem o colapso da Corrente do Golfo por conta do aquecimento global. Como resultado, boa parte da Europa vai esfriar.

Crédito de carbono, ou "offset":
Certificado em papel que dá ao seu comprador o direito de emitir uma quantidade X de gás carbônico. O expedidor do certificado precisa, para isso, ter reduzido as próprias emissões, ou evitado emissões para a atmosfera. Por exemplo, uma empresa num país desenvolvido que tenha uma meta de redução de 50 toneladas de carbono imposta pelo governo e consiga reduzir 60 toneladas poderá vender as 10 toneladas extra no mercado de carbono a uma outra empresa que não consiga cumprir a mesma meta.

COP:
Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, ou Convenção do Clima. A reunião de Copenhague será a 15ª COP, ou COP-15.

Desmatamento:
Também chamado desflorestamento, é a operação que elimina a vegetação nativa de certa área para sua utilização, via corte ou queimada. No Brasil, o desmatamento é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa, principalmente para a transformação do terreno em pasto para a pecuária.

Efeito estufa:
Nome dado ao aprisionamento do calor que chega à Terra por uma camada de gases na atmosfera, entre os quais o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o vapor d'água. Trata-se de um efeito natural, sem o qual a vida no planeta não seria possível, pois todo o calor seria perdido no espaço, transformando a Terra em uma bola de gelo.

Emissões per capita:
Maneira de se medir a emissão de gases do efeito estufa considerando a contribuição dos países por habitantes que lá vivem. Assim, apesar de a China ser a maior poluente em termos absolutos, polui pouco por habitante.Fato semelhante acontece com o Brasil, quinto maior emissor em termos absolutos, mas que polui muito pouco por habitante.

FAO:
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. A FAO já disse que a mudança climática pode constituir uma séria ameaça para a segurança alimentar mundial. Um relatório da organização informa que a pecuária é responsável por 18% das emissões de gases do efeito estufa em âmbito mundial, enquanto o desmatamento é responsável por 18% das emissões de dióxido de carbono. A instituição também alertou que as florestas da zona saariana desaparecem num ritmo preocupante de dois milhões de hectares por ano, e que o aquecimento do planeta acentuará o fenômeno.

Gases-estufa:
Compostos químicos que têm a propriedade de bloquear a radiação infravermelha (calor), impedindo que ela se propague. Os principais deles são o vapor d'água, o dióxido de carbono e o metano. Além destes dois últimos, são regulamentados pelo Protocolo de Kyoto o hexafluoreto de enxofre (SF6), os perfluorocarbonos (PFCs), o óxido nitroso (N2O) e os hidrofluorocarbonos (HFCs)

G77 + China:
Bloco de negociação formado pelas nações em desenvolvimento, inclusive o Brasil. Estabelecido em 1964, com 77 países-membros, hoje na verdade já cresceu para 133, mantendo o nome para registro histórico.

Hidrelétricas:
Instalação que converte a energia potencial das águas represadas em energia elétrica, via turbina que move um gerador. É por as hidrelétricas serem responsáveis por quase 80% da energia elétrica do país que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.

IPCC:
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês. É um órgão científico estabelecido em 1988 pela ONU para avaliar o risco da mudança climática causada pela atividade humana. No entanto, o IPCC não realiza pesquisas próprias ou faz monitoramento direto, somente consulta materiais científicos já publicados. Uma atividade importante do órgão é lançar relatórios relevantes para a implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, tratado internacional que busca controlar as emissões de gases-estufa. O IPCC ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2007, junto com o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

Kyoto:
O Protocolo de Kyoto foi assinado em 1997 em Kyoto, no Japão. O acordo entrou em vigor em 2005, pelo qual 37 nações industrializadas se comprometem a reduzir suas emissões de seis gases-estufa em 5,5% em relação aos níveis de 1990 até 2012.

Lars Lokke Rasmussen:
Primeiro-ministro da Dinamarca, em cuja capital, Copenhague, acontece neste ano a conferência do clima da ONU, a COP-15.

LULUCF:
Sigla para uso da terra, mudanças no uso da terra e florestas. Indica ações para evitar emissões de gás-estufa pelo desmatamento, pelo reflorestamento ou manejo de florestas, ou outras, como controle da agropecuária ou sequestro de carbono.

MDL:
Sigla para Mecanismo de Desenvolvimento Limpo; dispositivo do Protocolo de Kyoto pelo qual ações que evitem emissões em países em desenvolvimento podem gerar créditos a serem vendidos a nações desenvolvidas, com metas a cumprir.

MRV:
Sigla para Ações Mensuráveis, Reportáveis e Verificáveis; ações de países em desenvolvimento que não são metas obrigatórias --como é o caso dos países ricos, sob o Protocolo de Kyoto--, mas que estão abertas à verificação internacional.

Namas:
Sigla em inglês para Ações Nacionalmente Apropriadas de Mitigação, nome dado aos compromissos dos países em desenvolvimento.

Nível do mar:
O nível médio do mar, para comparação com a área terrestre. Um dos efeitos do aquecimento global é o aumento deste nível, que pode ser perigoso para populações que vivem em países-ilhas. Este aumento é obtido ao se somar a expansão térmica da água e a causada pelo derretimento do gelo dos polos.

Organização Meteorológica Mundial (OMM):
Agência especializada da ONU fundada em 1950, com sede em Genebra, na Suíça, é autoridade designada a discutir sobre o comportamento e estado da atmosfera da Terra, sua interação com os oceanos, o clima produzido, e os recursos hídricos assim produzidos. É sucessora da Organização Meteorológica Internacional, criada em 1873 para buscar unificar o sistema de pesquisas da área entre os diversos países.

ONU:
Organização das Nações Unidas, instituição internacional formada por 192 Estados soberanos, fundada após a 2ª Guerra Mundial com o objetivo de manter a paz e a segurança no mundo, melhores padrões de vida e direitos humanos. Sediada em Nova York, possui diversos órgãos especializados, como a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), Organização Meteorológica Mundial (OMM), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entre outros.

Plano de Ação de Bali (BAP):
Documento que guia as negociações do acordo de Copenhague. Adotado em Bali, Indonésia, em 2007, prevê ação em quatro eixos principais:

- Mitigação: Como reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Países em desenvolvimento e os EUA devem adotar ações para reduzir a trajetória de crescimento de suas emissões. Países desenvolvidos devem ampliar suas metas no Protocolo de Kyoto.

- Adaptação: Como preparar os países, especialmente os mais pobres, para os efeitos da mudança climática que já estão acontecendo ou que não poderão ser evitados ao longo deste século.

- Financiamento: Como os países ricos ajudarão as ações de mitigação nos países pobres.

- Tecnologia: Como garantir a ampla adoção de tecnologias de energia limpa, transferindo-as a baixo custo entre os países.

Princípio da Precaução (PP):
Envolve ações que devem ser antecipadas para proteger a saúde das pessoas e dos ecossistemas. Determina que, quando há razões para se suspeitar de ameaças à diversidade ou saúde, a falta de evidências científicas não pode ser usada como razão para adiar a tomada de medidas preventivas.

Queimada:
Uma das formas de desmatamento, importante geradora de emissões de gás carbônico no Brasil. Uma queimada controlada ou prescrita é a que se consegue manter confinada a determinada área, com intensidade e extensão suficiente ao objetivo.

Redd, Redd Plus:
Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, e o papel da Conservação, do Manejo Sustentável de Florestas e a Ampliação dos Estoques de Carbono em Florestas. É um mecanismo pelo qual países que reduzem seu desmatamento podem receber compensação financeira, seja em forma de fundos voluntários, seja gerando créditos de carbono. O desmatamento emite cerca de 5,8 bilhões de toneladas de gás carbônico por ano no mundo inteiro, e o Redd é considerado uma das formas mais imediatas e baratas de cortar emissões. Por isso deve entrar no novo acordo.

Responsabilidades comuns, mas diferenciadas:
Princípio segundo o qual todas as nações devem ser parte da solução da crise climática, mas as nações ricas devem liderar o esforço para solucioná-lo, já que contribuíram mais para causar o problema.

Sustentabilidade:
Garantia de que um processo possa se manter, frequentemente associado a alguma atividade econômica da sociedade humana, gerando a expressão desenvolvimento sustentável. Guarda o princípio de prover o melhor para as necessidades humanas sem utilizar exageradamente os recursos disponíveis, para que permaneçam no futuro.

Tratado internacional:
Um acordo formal entre pessoas jurídicas de direito internacional público --Estados ou Organizações Internacionais Intergovernamentais-- que firmam um compromisso por escrito. Este compromisso terá efeitos jurídicos nas relações internacionais. Existem várias designações para os tratados, como carta, para constituir uma organização internacional intergovernamental, como a Carta das Nações Unidas (1945); convenção, em geral sem fins políticos, como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (1992); declaração, para princípios, como a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992); e protocolo, um tratado acessório, como o Protocolo de Kyoto (1997), que é um acréscimo à Convenção de Mudança do Clima de 1992.

Usina:
Construção industrial, frequentemente de grandes proporções. O termo é bastante utilizado para se referir a estabelecimentos geradores de energia, como a usina hidrelétrica (à base de água), termelétrica (calor), eólica (vento), nuclear (materiais radiativos em reação nuclear) e solar (energia do Sol). Em geral, a energia solar e eólica são mais indicadas para uma produção "limpa" de energia, enquanto a termelétrica é considerada "suja" e a nuclear é mais polêmica, devido aos riscos de segurança associados.

Veranico:
Ondas de calor em plena estação fria. O fenômeno meteorológico inclui, em um período de pelo menos quatro dias, estiagem, calor intenso, insolação e baixa umidade relativa do ar. É um possível impacto do aquecimento global no Centro-Oeste brasileiro, com consequências para a saúde, agricultura e geração de energia hidrelétrica.

WWF:
Sigla de Fundo Mundial para a Natureza, é uma das principais ONGs ambientais atuantes sobre o aquecimento global, que começou com um grupo de cientistas na Suíça, em 1961. Apresentou em novembro uma lista que classifica as melhores iniciativas contra o aquecimento global --ações brasileiras para reduzir emissões de carbono pelo desmatamento na Amazônia ficaram em sexto lugar.

Xingu:
Rio brasileiro com cerca de 1.900 quilômetros de extensão e bacia hidrográfica de 530 mil quilômetros quadrados. O rio nasce no Estado de Mato Grosso e deságua perto da foz do rio Amazonas. Assim, ele atravessa tanto o bioma do cerrado como o da Amazônia. O desmatamento nessas duas regiões é o principal fator de emissão de gases-estufa do Brasil.

Yvo de Boer:
O atual secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Filho de diplomata holandês, nasceu na Áustria.

Zona de habitabilidade:
Conceito utilizado em astronomia que define uma área em volta de uma estrela onde é possível a existência de água líquida. A Terra, a 150 milhões de quilômetros do Sol, está no meio da zona habitável desta estrela. No entanto, a atmosfera do planeta também define a zona de habitabilidade. Se um planeta tem uma atmosfera muito fina ou sem gases do efeito estufa suficientes, pode não reter calor suficiente para manter uma temperatura apropriada. Este conceito mostra a importância de um efeito estufa moderado.

Site oficial do encontro: es.cop15.dk

Fontes:
"O Aquecimento Global", de Fred Pearce, Publifolha (2002)
"Almanaque Brasil Socioambiental 2008", de Beto Ricardo e Maura Campanili, ISA (2007)
"Manual de Direito Internacional Público", de Emerson Penha Malheiro, Editora Revista dos Tribunais (2008)
Jornal Folha de São Paulo