19 de set de 2010

Programas ambientais na América Latina receberão aporte financeiro

A Corporação Andina de Fomento (CAF) ampliou para US$ 2,3 bilhões sua bolsa de crédito para programas ambientais destinados ao cuidado e recuperação da América Latina, informaram fontes do órgão à agência de notícias Efe nesta quarta-feira.

A soma "representa 23% do montante de créditos" da instituição, formada por 18 países da América Latina, do Caribe e da Europa, e por 14 bancos privados, disse o vice-presidente para Desenvolvimento Social e Ambiental da CAF, José Carrera, em fórum encerrado em Brasília.

Carrera aproveitou a ocasião para elogiar o Brasil. "Contra a tendência geral, o país transitou por um caminho diferente e alcançou conquistas importantes na redução da taxa anual de desmatamento, que caiu de 2,7 milhões de hectares, em 2004, para 740 mil hectares, em 2009".

O dirigente da CAF disse que o resultado é fruto de diversos programas aplicados pelo país, que por um lado permitem conhecer em tempo real o avanço do desmatamento, e por outro castigam de forma severa os responsáveis pela poda ilegal.

"O exemplo brasileiro é muito interessante, porque mostra à região que é possível conciliar o desenvolvimento com o cuidado e o respeito à natureza", indicou Carrera à Efe.

COOPERAÇÃO

O executivo da CAF informou ainda que o Brasil se ofereceu para cooperar com o resto da América Latina em planos similares, além de compartilhar as informações que obtém sobre a região amazônica através de seus sistemas de vigilância por satélite.

Carrera explicou que o organismo também desenvolveu o programa Geosur, uma rede de informação geográfica atualizada da América Latina, que ajuda no planejamento e desenvolvimento de ações de infraestrutura, além de outras relacionadas com o social e o meio ambiental.

"O enfoque da CAF é pragmático na busca de resultados", disse Carrera, que indicou que a visão do organismo em relação ao meio ambiente é "integral" e vincula a preservação aos avanços sociais e econômicos.

De acordo com o dirigente, é preciso entender que o progresso da região não supõe descuido na preservação do meio ambiente, já que os dois elementos podem estar associados, desde que sejam administrados da maneira correta.

Segundo dados das Nações Unidas apresentados no seminário, a superfície de florestas na Ásia Central aumentou 3,8 milhões de hectares entre 2000 e 2005, enquanto, no mesmo período, houve redução de 4,7 milhões de hectares na América Latina, o que representa "a mais alta taxa de desmatamento do mundo".
Fonte:EFE

Estrada atropela maior lago subterrâneo do Brasil, na Bahia


A pavimentação de uma estrada no sudoeste da Bahia atropelou, literalmente, a caverna que abriga o maior lago subterrâneo do Brasil.

O estrago foi verificado por um espeleólogo e motivou a visita de uma equipe do Instituto Chico Mendes ao local na última sexta-feira.

O órgão, agora, quer descobrir se o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) errou na concessão da licença de um trecho da obra da rodovia BR-135 ou se o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) faz o trabalho num trecho não licenciado.
Vista do sistema de cavernas que abriga o lago subterrâneo no sudoeste baiano; espeleólogos relatam queda de pedras.

A vítima principal é o Buraco do Inferno da Lagoa do Cemitério, caverna que abriga o lago de 13.860 m2.

A gruta integra o sistema de cavernas João Rodrigues, no carste (formação de rocha calcária caracterizada por cavernas, que lembra um queijo suíço) de São Desidério, município baiano na fronteira da expansão da soja.

Segundo Alexandre Lobo, do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, há mais de uma centena de cavernas na região. Três dezenas delas são consideradas "expressivas" e deveriam estar protegidas. O Instituto Chico Mendes tem planos de criar uma unidade de conservação ali.

ALTERNATIVA

Em 2008, Lobo integrou uma equipe que mapeou as grutas na região de influência da BR-135. O objetivo era sugerir um traçado alternativo para a obra de pavimentação da estrada, justamente para desviá-la do carste.

No mês passado, o espeleólogo foi a São Desidério fazer fotos do lago subterrâneo. "Deparei com desmatamento e terraplenagem e as obras em curso", conta.

"No ponto onde o conduto [teto da caverna] é mais alto, sobre o lago, vi que havia blocos de rocha caídos recentemente", continua Lobo. "Há dolinas [buracos naturais na rocha calcária] entupidas, tudo isso resultado das máquinas que trabalham no local."

A estrada, é verdade, já passava por cima da caverna. Como era uma estrada de terra, porém, o trânsito local era pequeno. Quando o Dnit pediu a licença para pavimentar a estrada, que será usada para escoar a produção agrícola da região, o Ibama aproveitou para corrigir o traçado do trecho problemático.

Segundo o Dnit, 19 km dos 60 km da obra não receberam licença por decisão do Ibama. A obra continuou no restante. Em maio deste ano, o órgão autorizou que o asfaltamento prosseguisse por mais 14 km de estrada.

O Dnit afirmou à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que a obra em curso se limita ao trecho autorizado. Os outros 5 km embargados, que segundo o departamento corresponderiam "à caverna", continuariam parados, à espera da conclusão do estudo sobre o desvio.

Lobo contesta o Dnit. Ele diz que há obras ocorrendo exatamente sobre a caverna.

"Inspecionamos a obra. Ela está ocorrendo", diz o gerente do Ibama em Barreiras, Zenildo Soares. "Falta definir as coordenadas do local onde ela foi impedida."

O espeleólogo Jussykledson de Souza, que mora em São Desidério, acompanhou na sexta a equipe do Instituto Chico Mendes que foi vistoriar o local. "O teto da caverna está caindo. Vimos blocos caírem", afirmou.

"Ter ou não ter licença só agrava a situação. O que nos preocupa é a integridade do sistema", disse Jocy Cruz, chefe do Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas), do Instituto Chico Mendes.
Fonte: Folha de São Paulo

11 de set de 2010

Aquecimento reduz neve do monte onde teria parado a arca de Noé


As neves eternas do lendário monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície em três décadas, declarou nesta quarta-feira à AFP o geólogo Mehmet Akif Sarikayaun, que pesquisou a respeito.

"Utilizamos imagens de satélites para analisar a resposta do gelo no topo do monte Ararat ao aquecimento global. Descobrimos que havia perdido 30% de sua superfície entre 1976 e 2008", indicou o cientista, cujo estudo ainda não foi publicado.

"A superfície das neves eternas passou de 8 km2 em 1976 para 5,5 km2 em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano", explicou Mehmet Akif Sarikayaun, professor da universidade Fatih de Istambul e pesquisador da universidade americana de Omaha.

Em três décadas, as neves eternas do monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície

De acordo com o geólogo, as mudanças climáticas são a causa mais provável do degelo, e pode ameaçar a existência das neves eternas do monte a longo prazo.

Sarikayaun indicou ainda que a "temperatura aumentou 0,03 graus por ano" na área durante o período estudado. Entretanto, não descartou que outros fatores tenham influenciado no degelo.

O pesquisador reconheceu que não tem elementos para determinar se as causas do aquecimento local estão ligadas ou não ao fenômeno do aquecimento global.

Religiões como o judaísmo e o cristianismo acreditam que o monte Ararat (5.137 metros) é o local onde a arca de Noé parou depois do dilúvio universal narrado no Antigo Testamento.
Fonte: France Presse

Mudança climática deve aumentar mortes por desastres naturais


Desastres naturais têm causado menos mortes, mas a mudança climática deve interferir nestas estatísticas ao provocar condições mais extremas do clima, e que deixam sequelas posteriores como doenças e má nutrição, dizem especialistas.

Temperaturas elevadas podem agravar os desastres, tanto quanto provocar a interrupção da produção de alimentos. Segundo as Nações Unidas, o aquecimento global causará mais secas, incêndios florestais, ondas de calor, inundações, deslizamentos de terra e aumento do nível do mar --todas ocorrências são uma ameaça para uma população que deve sair dos 6,8 bilhões para 9 bilhões de pessoas até 2050.

Mais de 1.750 pessoas morreram no Paquistão em decorrência das inundações que atingiram o país em agosto

Os efeitos pós desastres naturais frequentemente são os piores, em termos de mortes adicionais. "Mortes em condições extremas de clima, como aconteceu neste ano nas inundações do Paquistão, são um alerta de que precisamos rever os esforços para manter a mudança climática sob controle", diz o diretor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Andrew Haines.

Mais de 1.750 pessoas morreram nas inundações do Paquistão, e outras milhares correm riscos devido a doenças. Ao menos 54 morreram nos incêndios na Rússia, em julho e agosto, que levaram ao aumento do preço de grãos --ameaçando os pobres com a má nutrição.

"Há um crescimento da taxa de mortalidade por causas indiretas. As pessoas estão mais pobres, e a mortalidade infantil que não é normal aumenta", completa Haines. "Deve haver significativas mortes que são subestimadas", diz ele. "A mudança climática poderia ser acrescentada aos prejuízos posteriormente provocados por desastres naturais."

As melhorias em alertas sobre ciclones e ondas de calor, assim como no índice da pobreza, em países em desenvolvimento, tornaram essas nações mais preparadas para condições extremas do tempo, o que colabora para frear o número de mortes.

"Estamos indo bem em termos de salvar de pessoas", diz o especialista sênior da Organização Mundial da Saúde (WHO, na sigla em inglês) das Nações Unidas, Diarmid Campbell-Lendrum. "Mas não há garantias futuras, já que vemos o perigo aumentando, principalmente como o calor [em regiões] onde não estamos bem preparados', disse à Reuters.

"A mudança climática apenas acrescenta outro motivo ao por que devemos controlar a malária, a diarreia, e a lidar com o problema da má nutrição", diz. "Esses são os grandes desafios."

NÚMEROS SUBESTIMADOS

A Organização Mundial da Saúde vai divulgar uma pesquisa, no ano que vem, para atualizar os dados de um estudo de 2003, que estima que 150 mil pessoas morreriam a cada ano por causa do aquecimento global --a maioria por má nutrição, diarreia e malária. Esses números devem dobrar até 2030, mas o diretor do órgão evita anunciar os novos números.

"A resposta, a curto prazo, é de prevenção a desastres para ajudar a salvar vidas", diz Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que cita o exemplo de sucesso em Bangladesh e Cuba no controle de mortes provocadas por tempestades em décadas recentes.

Em Bangladesh, por exemplo, um alerta inicial e abrigos ajudaram. O ciclone Bhola matou 300 mil pessoas em 1970, enquanto outro ciclone de 1991 matou 139 mil, segundo o banco de dados EM-DAT, com sede na Bélgica. Já em 2007, o ciclone Sidr registrou 3.500 mortes fatais.

Com investimentos de prevenção contra inundações no Paquistão, ou melhores informações sobre como lidar com as ondas de calor, Steiner completa, as soluções de longo prazo deveriam ser o corte na emissão de gases do efeito estufa, principalmente os originados pela queima de combustíveis fósseis.

"O ponto fundamental da mudança climática será levar o mundo a investir no gerenciamento do desastre ou no desenvolvimento", Steiner diz à Reuters. "Esta é a opção desta geração."

Campbell-Lendrum diz que o estudo de 2003 da Organização Mundial da Saúde pode ter subestimado o impacto de inundações como as que ocorreram no Paquistão e as ondas de calor na Rússia (mais de 70 mil pessoas morreram na Europa em 2003 em decorrência das ondas de calor).

Ele diz que a mudança climática era um argumento de apoio para serviços básicos de saúde em nações pobres, onde 830 milhões de pessoas sofrem de subnutrição e estão em risco maior.

Outros estudos ligaram o aquecimento com a disseminação de carrapatos e encefalite no noroeste da Europa. Um deles sugeriu maiores taxas de suicídio entre fazendeiros australianos durante as secas, segundo um painel sobre o clima das Nações Unidas. A mudança climática, porém, tem efeitos negativos e positivos --mais pessoas estão ameaçadas pelas ondas de calor, por exemplo, mas idosos também sobrevivem melhor com invernos mais amenos.

Os dados da EM-DAT mostram que mortes provocadas por desastres naturais têm diminuído de, aproximadamente, 500 mil pessoas por ano, um século atrás, para menos de 50 mil em anos mais recentes -os números incluem desastres não relacionados à mudança climática como os tsunamis e as erupções vulcânicas; o pior em anos recentes é o de 2004, com o tsunami do oceano Índico.
Fonte: Reuters