As neves eternas do lendário monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície em três décadas, declarou nesta quarta-feira à AFP o geólogo Mehmet Akif Sarikayaun, que pesquisou a respeito.
"Utilizamos imagens de satélites para analisar a resposta do gelo no topo do monte Ararat ao aquecimento global. Descobrimos que havia perdido 30% de sua superfície entre 1976 e 2008", indicou o cientista, cujo estudo ainda não foi publicado.
"A superfície das neves eternas passou de 8 km2 em 1976 para 5,5 km2 em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano", explicou Mehmet Akif Sarikayaun, professor da universidade Fatih de Istambul e pesquisador da universidade americana de Omaha.
Em três décadas, as neves eternas do monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície
De acordo com o geólogo, as mudanças climáticas são a causa mais provável do degelo, e pode ameaçar a existência das neves eternas do monte a longo prazo.
Sarikayaun indicou ainda que a "temperatura aumentou 0,03 graus por ano" na área durante o período estudado. Entretanto, não descartou que outros fatores tenham influenciado no degelo.
O pesquisador reconheceu que não tem elementos para determinar se as causas do aquecimento local estão ligadas ou não ao fenômeno do aquecimento global.
Religiões como o judaísmo e o cristianismo acreditam que o monte Ararat (5.137 metros) é o local onde a arca de Noé parou depois do dilúvio universal narrado no Antigo Testamento. Fonte: France Presse
Desastres naturais têm causado menos mortes, mas a mudança climática deve interferir nestas estatísticas ao provocar condições mais extremas do clima, e que deixam sequelas posteriores como doenças e má nutrição, dizem especialistas.
Temperaturas elevadas podem agravar os desastres, tanto quanto provocar a interrupção da produção de alimentos. Segundo as Nações Unidas, o aquecimento global causará mais secas, incêndios florestais, ondas de calor, inundações, deslizamentos de terra e aumento do nível do mar --todas ocorrências são uma ameaça para uma população que deve sair dos 6,8 bilhões para 9 bilhões de pessoas até 2050.
Mais de 1.750 pessoas morreram no Paquistão em decorrência das inundações que atingiram o país em agosto
Os efeitos pós desastres naturais frequentemente são os piores, em termos de mortes adicionais. "Mortes em condições extremas de clima, como aconteceu neste ano nas inundações do Paquistão, são um alerta de que precisamos rever os esforços para manter a mudança climática sob controle", diz o diretor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Andrew Haines.
Mais de 1.750 pessoas morreram nas inundações do Paquistão, e outras milhares correm riscos devido a doenças. Ao menos 54 morreram nos incêndios na Rússia, em julho e agosto, que levaram ao aumento do preço de grãos --ameaçando os pobres com a má nutrição.
"Há um crescimento da taxa de mortalidade por causas indiretas. As pessoas estão mais pobres, e a mortalidade infantil que não é normal aumenta", completa Haines. "Deve haver significativas mortes que são subestimadas", diz ele. "A mudança climática poderia ser acrescentada aos prejuízos posteriormente provocados por desastres naturais."
As melhorias em alertas sobre ciclones e ondas de calor, assim como no índice da pobreza, em países em desenvolvimento, tornaram essas nações mais preparadas para condições extremas do tempo, o que colabora para frear o número de mortes.
"Estamos indo bem em termos de salvar de pessoas", diz o especialista sênior da Organização Mundial da Saúde (WHO, na sigla em inglês) das Nações Unidas, Diarmid Campbell-Lendrum. "Mas não há garantias futuras, já que vemos o perigo aumentando, principalmente como o calor [em regiões] onde não estamos bem preparados', disse à Reuters.
"A mudança climática apenas acrescenta outro motivo ao por que devemos controlar a malária, a diarreia, e a lidar com o problema da má nutrição", diz. "Esses são os grandes desafios."
NÚMEROS SUBESTIMADOS
A Organização Mundial da Saúde vai divulgar uma pesquisa, no ano que vem, para atualizar os dados de um estudo de 2003, que estima que 150 mil pessoas morreriam a cada ano por causa do aquecimento global --a maioria por má nutrição, diarreia e malária. Esses números devem dobrar até 2030, mas o diretor do órgão evita anunciar os novos números.
"A resposta, a curto prazo, é de prevenção a desastres para ajudar a salvar vidas", diz Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que cita o exemplo de sucesso em Bangladesh e Cuba no controle de mortes provocadas por tempestades em décadas recentes.
Em Bangladesh, por exemplo, um alerta inicial e abrigos ajudaram. O ciclone Bhola matou 300 mil pessoas em 1970, enquanto outro ciclone de 1991 matou 139 mil, segundo o banco de dados EM-DAT, com sede na Bélgica. Já em 2007, o ciclone Sidr registrou 3.500 mortes fatais.
Com investimentos de prevenção contra inundações no Paquistão, ou melhores informações sobre como lidar com as ondas de calor, Steiner completa, as soluções de longo prazo deveriam ser o corte na emissão de gases do efeito estufa, principalmente os originados pela queima de combustíveis fósseis.
"O ponto fundamental da mudança climática será levar o mundo a investir no gerenciamento do desastre ou no desenvolvimento", Steiner diz à Reuters. "Esta é a opção desta geração."
Campbell-Lendrum diz que o estudo de 2003 da Organização Mundial da Saúde pode ter subestimado o impacto de inundações como as que ocorreram no Paquistão e as ondas de calor na Rússia (mais de 70 mil pessoas morreram na Europa em 2003 em decorrência das ondas de calor).
Ele diz que a mudança climática era um argumento de apoio para serviços básicos de saúde em nações pobres, onde 830 milhões de pessoas sofrem de subnutrição e estão em risco maior.
Outros estudos ligaram o aquecimento com a disseminação de carrapatos e encefalite no noroeste da Europa. Um deles sugeriu maiores taxas de suicídio entre fazendeiros australianos durante as secas, segundo um painel sobre o clima das Nações Unidas. A mudança climática, porém, tem efeitos negativos e positivos --mais pessoas estão ameaçadas pelas ondas de calor, por exemplo, mas idosos também sobrevivem melhor com invernos mais amenos.
Os dados da EM-DAT mostram que mortes provocadas por desastres naturais têm diminuído de, aproximadamente, 500 mil pessoas por ano, um século atrás, para menos de 50 mil em anos mais recentes -os números incluem desastres não relacionados à mudança climática como os tsunamis e as erupções vulcânicas; o pior em anos recentes é o de 2004, com o tsunami do oceano Índico. Fonte: Reuters
Qual é a maneira mais eficiente de reduzir a pegada ecológica de sua casa: desligar luzes e eletrodomésticos quando não os estiver usando ou passar a usar aparelhos energeticamente mais eficientes?
Especialistas dizem que a segunda alternativa terá um impacto bem maior nas emissões de gases-estufa de sua residência, mas estudos publicados na edição dessa semana da revista "PNAS" sugere que poucos sabem disso.
Shahzeen Attari, do Centro de Pesquisas sobre Decisões Ambientais da Universidade de Columbia, em Nova York, e sua equipe perguntaram a voluntários o que eles consideravam como a melhor maneira de cortar suas emissões de CO2.
Mais da metade dos 505 indivíduos que participaram da pesquisa escolheram ações como "desligar as luzes e aparelhos eletrônicos" ou "dirigir menos", enquanto 12% mencionaram métodos mais eficientes, como "mudar lâmpadas incandescentes por fluorescentes" ou "usar eletrodomésticos ou carros mais eficientes".
ERROS COMUNS
Muitas pessoas acreditam, por exemplo, que secar roupas no varal em vez de usar uma secadora automática economiza mais energia que mudar a configuração da máquina de lavar para usar água menos quente, embora o oposto seja verdadeiro.
Outros exemplos de confusão incluem a crença de que a quantidade de energia usada para transportar produtos em caminhões é mais ou menos a mesma que a energia usada para transportar produtos por trem. Na verdade, caminhões consomem dez vezes mais energia por carga transportada que trens.
"As pessoas têm uma boa ideia de quanta energia aparelhos pequenos consomem", diz Attari. "Mas para grandes equipamentos, as pessoas subestimam muito a quantidade de energia utilizada."
Os voluntários subestimaram por um fator de três a energia consumida por equipamentos. Quando perguntados para comparar aparelhos que têm um consumo moderado de energia, os voluntários corretamente disseram que desktops consomem mais que laptops, mas eles subestimaram a diferença.
Com residências sendo responsáveis por cerca de um terço do consumo de energia nos EUA - e de emissões de CO2 quando viagens pessoais são computadas - as decisões que indivíduos fazem podem ter um grande impacto.
Pesquisa publicada no ano passado por Thomas Dietz, da Universidade Estadual de Michigan, in East Lansing, e sua equipe sugere que mudanças comportamentais do tipo citado acima poderia reduzir em 20% as emissões de CO2 em residências, resultando numa queda geral de 7% nas emissões do país.
Esforços para encorajar as pessoas a reduzir seu consumo de energia deveriam enfatizar maneiras de fazê-lo de maneira efetiva, diz Attari.
Alto custo das peças de reposição, em especial de TVs de plasma e LCD, é principal problema
Entulho.Dono de oficina, Mensório precisou alugar uma sala só para guardar os produtors abandonados pelos clientes
O recente boom do consumo de televisores de tela plana, celulares e computadores está levando a um problema ambiental ainda sem solução - o lixo eletrônico decorrente da rápida obsolescência dos equipamentos e do alto custo das peças de reposição.
Hoje 20% dos equipamentos vendidos no País que apresentam algum defeito caem num impasse: o conserto demora muito ou fica caro demais, incentivando o consumidor a adquirir um novo produto. O resultado são cerca de 2 milhões de equipamentos parados nas oficinas, esperando destinação correta.
Os números constam de uma estimativa realizada pela Abrasa, entidade que representa as empresas de assistência técnica autorizada de eletroeletrônicos no Brasil. E o problema tende a aumentar. "Até 2015, um terço dos equipamentos vendidos no País serão sucateados. Será inviável consertá-los por uma questão de custo", diz Norberto Mensório, presidente da Abrasa.
Monitores de computador e telas de TVs de plasma, LED ou LCD estão entre os itens cujo conserto é mais dispendioso - varia de R$ 800 a até R$ 5 mil.
Além da atualização tecnológica da indústria, que estimula a substituição dos equipamentos, Mensório aponta que o reparo dos equipamentos esbarra em uma questão tributária, que encarece o preço final das peças de reposição. Os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus recebem isenção de impostos como IPI, ICMS e Imposto de Importação, mas as peças de reposição são tributadas integralmente. "O aparelho desmontado custa de quatro a oito vezes o valor do produto montado. É uma falha na legislação que traz como consequência o agravamento do problema do lixo eletrônico."
Dono de uma empresa de assistência técnica na zona leste de São Paulo, Mensório convive de perto com o abandono dos equipamentos cujo conserto se tornou inviável. Ele precisou alugar uma sala extra para comportar os equipamentos deixados lá pelos clientes. Na oficina, as TVs de tubo ainda representam metade dos consertos, mas as de tela plana começam a avançar.
Para enviar os equipamentos à reciclagem, Mensório e os donos das mais de 20 mil oficinas de assistência técnica em todo o País esbarram em outra questão: o direito de propriedade sobre os produtos. "É preciso autorização dos donos para nos desfazermos dos itens", diz. Ele espera que a lei nacional de resíduos sólidos, sancionada na semana passada, ajude a desburocratizar a destinação dos equipamentos ao fim de sua vida útil.
Obsolescência. O psicólogo Eber Fernandes de Matos, de Ribeirão Preto (SP), já tentou consertar televisão, home theater e uma impressora. Em todos os casos, o valor do conserto ficava entre 60% e 80% do preço de um produto novo e a espera seria de semanas. "O problema é a curta durabilidade dos produtos e, entre pagar caro para ter o mesmo e pagar para ter um novo, fico com a segunda opção", diz Matos. Ele avalia que o impacto ambiental da rápida substituição dos produtos deveria ser encarado pela indústria. "Ou o descartável vira biodegradável ou reaproveitável ou se investe num produto de maior longevidade, em que se possa fazer atualizações."
A chamada obsolescência programada, que é a estratégia utilizada pela indústria para garantir o consumo constante - os produtos deixam de funcionar após um período de tempo, tendo de ser substituídos por mais modernos - está na raiz do problema. "A grande questão é que a indústria gera toda a sua receita a partir da venda de novos produtos e vê a assistência técnica apenas como um custo", diz Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu, que incentiva o consumo consciente.
No longo prazo, no entanto, Mattar acredita que a tendência mudará. "O custo das matérias-primas deverá subir, por causa da escassez de recursos naturais que já começa a ocorrer. A indústria terá de se adaptar e oferecer mais serviços que produtos."
Vendas em crescimento
11,5 milhões de aparelhos de TV devem ser vendidos no Brasil em 2010,
Destes, até 60% devem ser de plasma, LCD ou LED
19,7% a mais em relação a 2009
CRONOLOGIA DOS BENS DE CONSUMO
Década de 1930 Após a crise de 1929, governo americano passa a adotar medidas de estímulo ao consumo.
1950 No pós-guerra, EUA exportam seu "estilo de vida" e bens duráveis se popularizam.
Hoje Globalização leva à massificação de produtos.
Fonte: Estadão
Com uma pasta cheia de dinheiro e cercado por beldades loiras, o empresário australiano Dick Smith anunciou nesta quarta (11) o lançamento do Prêmio Wilberforce, uma bolada de um milhão de dólares australianos (US$ 900 mil ou R$ 1,6 milhão) para quem sugerir a melhor ideia para controlar o crescimento populacional desenfreado no globo.
Segundo Smith, um dos empresários mais conhecidos da Austrália, os recursos limitados da Terra não suportariam a atual taxa de crescimento. Para ele, a questão populacional é uma das mais importantes da atualidade.
O vencedor do prêmio, alguém com menos de 30 anos, deverá impressionar Dick com sua "habilidade em comunicar uma alternativa para nossa economia obcecada com crescimento da população e do consumo".
O prêmio será anunciado no ano que vem. Durante esse período, Smith irá acompanhar na mídia o indivíduo com as ideias mais destacadas na área. Como no caso do Nobel, não é preciso se inscrever para o Prêmio Wilberforce.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta segunda-feira (8) a criação de um comitê de alto nível encarregado de elaborar um plano de ação para combater a pobreza garantindo um meio ambiente sustentável.
Este grupo, sob a direção conjunta dos presidentes da Finlândia, Tarja Halonen, e da África do Sul, Jacob Zuma, estudará como "tirar as populações da pobreza, respeitando e preservando o clima e os ecossitemas que nos dão a vida", declarou Ban em uma coletiva de imprensa.
A equipe deve "ser ambiciosa e propor respostas práticas aos desafios institucionais e financeiros da execução desse plano", completou.
A equipe deve apresentar seu relatório no fim de 2011, a tempo de ser utilizado na Conferência da ONU para o desenvolvimento sustentável, prevista para 2012 no Rio de Janeiro.
A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza anunciou nesta terça (10) que irá financiar a partir de agosto 19 projetos de conservação da biodiversidade. Ao todo, a organização deve doar R$ 500 mil aos projetos, que podem variar de um a dois anos.
Os projetos foram selecionados de uma lista com 168 propostas inscritas no edital do primeiro semestre do ano e serão desenvolvidos em 14 estados brasileiros. Eles contemplam o ambiente marinho e três dos seis biomas brasileiros (Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga).
A fundação também recebe até o dia 31 de agosto inscrições para novos projetos. Os projetos aprovados neste novo edital começarão a receber as doações a partir de janeiro de 2011. Podem concorrer projetos de organizações não-governamentais ou fundações ligadas a universidades que contribuam para a conservação da natureza no Brasil. As inscrições devem ser feitas no site da Fundação O Boticário.
Os projetos devem estar enquadrados nas linhas temáticas definidas pela organização, como ações e pesquisa para a conservação de espécies e comunidades silvestres em ecossistemas naturais ou ações para a restauração de ecossistemas naturais.
A Fundação O Boticário é uma das principais financiadoras de projetos em conservação da natureza no Brasil. Em 20 anos de atuação, já doou mais de U$ 9,2 milhões (R$ 16 milhões) para 1.218 projetos de quase 400 instituições em todo o Brasil.